Horror Familiar

Sinopse: Quando o horror oriundo das profundezas toca o seio de uma família, não há mente que mantenha a lucidez. O pesadelo vivido pela família Ward é narrado por vozes mergulhadas em um oceano de desespero e dor.

Diogo Ramos encontra nos escritos de H.P. Lovecraft o caminho para despertar a angústia, enclausurada pela fina camada de sanidade que nos sustenta.


 

PHILLIP

Minha consciência flutua no mar do vazio infinito. Lembro do cheiro salgado que a brisa noturna trouxe antes que eu mergulhasse; cheiro pútrido que tocou minhas fossas nasais como sinos que celebravam o pior em mim. Se eu soubesse, não teria pulado. Mas nada pude fazer, fui seduzido. Os sons me fizeram pular, compassados e guturais. Me fizeram pular.

Devo estar morto. Não houve tempo de dizer adeus e sei que Sonia ainda me espera. Seus gritos, súplicas de uma mulher em desespero, ainda reverberam pelas câmaras de memórias soltas e inconsistentes. De nada adiantou tudo aquilo. A imensidão sombria se apoderara do horizonte e não nos permitiu dizer o que era céu ou mar. Tal distinção só podia ser feita pela lua côncava e cheia que se destacava com brilho intenso e solidão.

Sortudo seria eu se, ao pular, encontrasse somente o mar. Morreria com o abraço gélido das águas negras. Nós apertados prenderam meu tornozelo e para o fundo fui arrastado. Em nenhum momento lutei para sobreviver. Afoguei-me nos goles d´água que violentaram meu interior e tomaram lugar do ar. As profundezas intocadas pela luz fizeram de meu corpo alimento que, mergulhado em ácidos estomacais, se desfaz.

Agora, tudo é dor. Angústia que me sufoca e enterra em sofrimento. Tenho olhos e não vejo, ouvidos e não ouço. Não há ar, minha respiração cessou. O som é um delírio perturbador de minha mente, que se perde no vazio de algo maior que eu, ou qualquer coisa que possa existir.

Dos sentidos, poucos restam. Posso sentir os tentáculos gelatinosos deslizando por todo o corpo, enquanto as ventosas aderem à pele e sugam sem misericórdia. Aos poucos eles me consomem. Começam sempre pelas narinas; os que lá entram percorrem o caminho até encontrarem outros na garganta. Travam batalhas viscerais, uma disputa por espaço em um corpo devassado. Mais deles invadem os ouvidos e forçam passagem para encontrar seus semelhantes. Minha cabeça é tomada por tentáculos de tamanhos diversos, que comprimem o cérebro e forçam saída. Torço sempre por mais, talvez assim minha cabeça exploda e encontre o fim.

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Horror Familiar

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